Campo Grande - MS, quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Metáfora

ABENÇOADOS SEJAM OS ADULTOS ACRIANÇADOS

 

Quem dera tivéssemos a felicidade em continuar com a percepção das crianças.

Viver e ver o mundo sem hostilidade, como uma fonte inesgotável de encantamento, sempre repleta de surpresas e descobertas.

 

Provavelmente, os seres humanos seriam melhores e a humanidade mais harmoniosa. Infelizmente, ainda não existe uma pedagogia que realmente prepare o ser humano para a vida, mantendo no adulto o frescor do espírito livre, criativo e bondoso da criança.

 

Sabe-se, pelas escrituras sagradas, que o rei Herodes, sentindo o seu poder ameaçado, ordenou matar todas as crianças de seu reino.

 

E a história se repete hoje quando aniquilamos a nossa Criança Interior. Destituindo-nos da natureza pura, feliz e generosa, presentes nas crianças.

 

O processo de crescimento das crianças que deveria seguir um curso natural que proporcionasse um desenvolvimento saudável é marcado por intervenções agressivas que mais tarde se deflagrarão no corpo de um adulto tomado de medos, insano, inseguro, individualista e, não raras vezes, violento.

 

Não é de se surpreender o aspecto sombrio que envolve o mundo de hoje. Trata-se de um reflexo de nosso mundo interior imerso na escuridão da ignorância.

 

No entanto, ainda há esperança.

A história cita os muitos iluminados, pontos de luz nas trevas que envolvem a humanidade, que vieram, e continuarão vindo, para nos orientar e conduzir.

 

É de conhecimento que muitos destes homens sábios foram ridicularizados, e até mortos.

Mas as suas mensagens hão de permanecer como uma chama perpétua a sobrepujar o tempo.

Nunca se extinguirá, pois é alimentada pelo Desejo Eterno que sempre existirá nos corações de todos os seres humanos: o desejoso de ser feliz.  

 

No Brasil, nas décadas de 80 e 90 do século passado, houve um homem que percorreu o País a pé. Eu mesmo o vi. Cabelos longos e barbudo, trajando uma túnica branca, lembrava Jesus.

 

Carregava uma placa com mensagem indecifrável, mas a sua atitude esclarecia a sua intenção: gentilmente distribuía flores aos motoristas sem pedir nada em troca.

Por isso, ficou conhecido como “Profeta Gentileza”.

 

Para muitos, apenas mais um louco a perambular sem rumo pela vida.

Confesso que, influenciado pelos adultos, o julguei como um louco também. E hoje, me pergunto: como podemos julgar alguém de insano se vivemos mergulhados em contradições?

 

Se jantamos tranqüilamente assistindo a violência nos telejornais?

 

Se nos escandalizamos, movidos por uma moralidade medíocre, ao ver um casal a trocar beijos e abraços na rua, enquanto somos capazes de ignorar a vizinha sendo humilhada ou espancada pelo marido?

 

Se freqüentamos igrejas ou cerimônias sagradas enquanto continuamos fofocando a vida dos outros?

 

Felizmente, ainda temos a oportunidade de encontrar muitas “Gentilezas”, tesouros vivos com coração de criança que se apresentam, obviamente, com suas imperfeições, mas nada que macule a sua essência generosa.

 

Conheço muitas pessoas assim, e confesso a minha inveja por possuírem tantas qualidades que me fazem perceber o quanto sou pequeno na minha humanidade, e o quanto preciso policiar o meu ego cheio de hábitos mesquinhos para não prejudicar os outros.

 

Se quiser adentrar ao Reino dos Céus, seja como as crianças. Nada tão correto como profético este ensinamento deixado pelo Mestre. 

 

Por isso, abençoadas sejam as crianças e também os adultos “acriançados” que estão a nos mostrar como adentrar o paraíso que eles mesmos vivem agora em vida.

 

Pois não é o próprio inferno a vida da pessoa que vive tomada por sentimentos de arrogância ou inveja, praticando todas as formas de maldades contra o próximo e todos os seres existentes?

 

Mensagem escrita pelo meu amigo:

Hélio Arakaki

muryokan@gmail.com

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